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100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial – parte 1

Na Bélgica, 11 de novembro – dia do Armistício – é feriado e dia de relembrar o fim da Primeira Guerra Mundial e honrar os soldados que lutaram durante o período. Eventos acontecem nas cidades do país.

A Bélgica e a Primeira Guerra Mundial (resumidamente)

Entre os anos de 1914 e 1918, a Bélgica foi cenário para alguns dos confrontos da Primeira Guerra Mundial.

Antes de 1914 já existiam conflitos entre os países da Europa.

O estopim que desencadeou a Primeira Guerra Mundial foi o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand Karl Ludwig Joseph Maria, sucessor do trono do Império Austro-Húngaro.

Em 28 de junho de 1914, o sérvio Gavrilo Princip disparou o tiro que causou a morte do arquiduque na capital da Bósnia. Após, o Império Austro-Húngaro autorizou ataques contra os sérvios, além de extradição e de perseguição que acabaram resultando em um ultimato do Império Austro-Húngaro com condições e exigências à Sérvia, que não concordou com um dos requisitos do documento.

Em 28 de julho de 1914 o Império Austro-Húngaro declarou guerra à Sérvia.

A Alemanha fazia parte da Tríplice Aliança com o Império Austro-Húngaro e Itália (Impérios Centrais).

A Sérvia tinha o apoio da Rússia, que rapidamente planejou e organizou as ações de defesa. França e o Reino Unido faziam parte da Tríplice Entente juntamente com a Rússia (Os Aliados), um acordo criado para equilibrar as forças com a primeira.

A Alemanha declarou guerra à Rússia e posteriormente também declarou guerra à França. Os alemães queriam chegar até a França, porém, existiam barreiras que os impediam.

Foi aí que as tropas alemãs invadiram a Bélgica através de Liège em 04 de agosto de 1914, ignorando a neutralidade do país e exigindo que o rei Albert I liberasse a passagem para que os soldados atravessassem o país e pudessem atacar a França, o que foi recusado, então as tropas alemãs avançaram, declarando guerra e destruindo o que atrapalhasse seu avanço.

O Reino Unido exigiu que os alemães recuassem em respeito à Convenção de 1839, que garantia a neutralidade da Bélgica, o que não aconteceu, então os britânicos e consequentemente as colônias que eram administradas por eles ingressaram na guerra para defender o país, pois era o que as nações que assinaram o tratado deveriam fazer em caso de invasão.

A primeira batalha em Ieper começou em 19 de outubro de 1914 e terminou em 22 de novembro de 1914. Após, sob o comando do rei Albert I, o exército belga ordenou a inundação da planície do Rio Ijzer através da abertura deliberada das comportas de Veurne-Ambacht, estratégia que impediu que as tropas alemãs avançassem por um período.

Exércitos dos dois lados construíram fortificações e trincheiras como manobras.

Em Dinant, Seilles, Tamines, Aarschot, Leuven, entre outros municípios/vilarejos, casas foram incendiadas e muitos moradores foram mortos pelos alemães. Cerca de 15% a 20% da população belga fugiu do país após a invasão dos alemães.

A segunda batalha em Ieper aconteceu de 22 de abril de 1915 à 25 de maio de 1915. Um ataque surpresa do exército alemão devastou as tropas dos Aliados e matou os soldados em segundos através do uso do gás tóxico Iperite, usado pela primeira vez em guerras e que passou a ser utilizado por ambos os lados como arma. Os Aliados recuaram quilômetros, mas o exército alemão não conseguiu avançar e os bombardeios se tornaram constantes.

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alguns dos modelos de máscaras que eram utilizadas para proteção

Os kits com produtos para primeiros socorros continham substâncias como pó de ópio e fenacetina antipirética para aliviar a dor dos soldados.

flanders fields - primeiros socorros

A terceira batalha em Ieper aconteceu de 31 de julho de 1917 à 10 de novembro de 1917. Um contra-ataque britânico detonou dezenove minas nas linhas do exército alemão em Mesen e uma batalha em Passchendaele não foi impedida e resultou em mais de quatrocentos mil mortos e/ou feridos britânicos além da destruição do vilarejo.

Em abril de 1918, o exército alemão recuperou os territórios que tinha perdido durante a terceira batalha de Ieper. Porém, os americanos começaram a chegar para apoiar Os Aliados e, de 28 de setembro de 1918 até 11 de novembro de 1918, ataques fizeram com que os alemães recuassem até o Rio Scheldt.

A Primeira Guerra Mundial finalmente chegou ao fim em 11 de novembro de 1918, após a assinatura de um armistício entre Os Aliados e o Império Alemão nas proximidades da cidade de Compiègne, na França.

Durante as batalhas da Primeira Guerra Mundial surgiram armas capazes de matar mais rapidamente, além das fortificações e das trincheiras que mudaram a forma de lutar. Ataques de submarinos e de aviões foram utilizados para atingirem seus alvos. O acontecimento deixou em torno de 15.000.000 mortos (existem relação à estimativa do número de mortos).

Na Bélgica, Ieper está entre as cidades que foram completamente destruídas.

Após a guerra, a maioria dos cidadãos voltou para a Bélgica, as casas foram reconstruídas uma a uma gradualmente, assim como os prédios do governo e monumentos. Localizados na Grote Markt de Ieper, a catedral Sint-Maartens e o Belfort (campanário – cloth hall) foram reconstruídos exatamente como eram antes da guerra.

A Bélgica incorporou mais de 900 km² com a anexação de parte do território que pertencia à Amenha após o Tratado de Versalhes de 1919.

O In Flanders Filds Museum, em Ieper, apresenta exposições que ajudam a compreender os acontecimentos durante a Primeira Guerra Mundial na Bélgica.

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Significado de “Flanders Fields”: Campos de FLANDRES (norte da Bélgica – Vlaanderen).

O visitante recebe uma pulseira que permite o acesso ao museu e ao conteúdo dos aparelhos que estão espalhados pelos ambientes. A papoula simboliza solidariedade e respeito àqueles que morreram durante a guerra.

flanders fields - pulseira

O contato com histórias de pessoas que participaram de guerras sempre me leva à reflexão. Ao ter acesso a fotos e áudios fico imaginando como as pessoas eram, como eram as condições em que viviam, a importância dos objetos que carregavam, seus desejos, seus planos, o que poderiam fazer para evitar os conflitos, como foi a morte… São vidas! Dores físicas. Dores emocionais. É sempre triste, mas também acredito ser importante o conhecimento exatamente para a reflexão.

Continua… (em 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial – parte 2)

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