Esta publicação é continuidade de “100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial – parte 1”.
No último 11 de novembro (dia do Armistício) a Bélgica foi um dos países que relembrou sobre o fim da Primeira Guerra Mundial, então elaborei textos que retratam um pouco dos acontecimentos que envolveram o país.

Sobre a papoula: é vista em todos os cantos da cidade de Ieper e simboliza solidariedade e respeito aos falecidos durante a Primeira Guerra Mundial. Em eventos dos países que homenageiam os soldados que participaram das guerras também é simbolizada.
Enquanto exercia sua função prestando os primeiros socorros em Essex Farm durante a segunda batalha de Ieper, o canadense, médico e poeta, John McCrae escreveu:
In Flanders fields
In Flanders fields the poppies blow
Between the crosses, row on row,
That mark our place; and in the sky
The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.
We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
Loved, and were loved, and now we lie
In Flanders fields.
Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
The torch; be yours to hold it high.
If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
In Flanders fields.
As papoulas prosperaram em locais onde o solo era irregular. Acredita-se que ventos levaram as sementes até os campos e lá elas germinaram, sendo o que coloria em meio às ruínas.
Monumentos em homenagem aos soldados foram construídos na região de Ieper – Flanders Fields – durante a década de 1920 (uma das regiões mais devastadas com a invasão dos alemães na Bélgica). Menenpoort é um dos memoriais CWGC (Commonwealth War Graves Commission) da Bélgica.

O portão de acesso à Grote Markt de Ieper é um memorial dedicado aos soldados que morreram durante a Primeira Guerra Mundial e não foram sepultados. Conectado com a muralha da cidade, é um projeto do arquiteto britânico Reginald Blomfield e foi inaugurado em 1927.

Nas paredes estão os nomes de mais de 54.000 desaparecidos em campos de batalhas na região de Ieper.
Diariamente (desde 1928) às 20:00 é realizada uma cerimônia no local para homenagear as pessoas que perderam a vida durante a Primeira Guerra Mundial. É a cerimônia do “Last Post”, onde o som das cornetas que são tocadas pela banda representa a despedida e também o início do descanso daqueles que partiram.
Na região também é possível visitar os campos de batalhas e as trincheiras que foram os cenários da Primeira Guerra Mundial, além dos cemitérios que são dedicados aos soldados.
Existem trilhas para caminhada e a possibilidade de percorrer de bicicleta a área dos campos de batalhas da região que é conhecida como Ypres Salient e é aberta para visitação.
Existem cinco trincheiras que podem ser visitadas na região:
– Front Line ‘t Hooghe, em Ieper. Na área do Kasteelhoof ‘t Hooghe aconteceram algumas das batalhas mais violentas; a região também abriga bunkers.
– Yorkshire Trench and dug-out, em Ieper. Recriada pelo In Flanders Fields Museum, a trincheira foi restaurada com o apoio de arqueólogos.
– Memorial Museum Passchendaele 1917, em Zonnebeke.
– O local que foi dominado e renomeado pelos alemães: Bayernwald, em Heuvelland.
– A remodelada The trench of Death, em Diksmuide: o inferno dos soldados durante a guerra.
Lembranças da guerra estão presentes nas redondezas de Ieper e podemos observar claramente. Mas também estão onde os olhos não podem ver: no subsolo. Ao cavar, ainda é possível encontrar o que ficou da guerra. Isso foi percebido em 1997, quando um trabalho foi iniciado para a implementação de uma nova zona industrial ao longo do Canal Ijzer e depois de alguns dias, munições não utilizadas durante as batalhas foram encontradas pelas equipes, além de restos humanos de 205 soldados que foram recuperados.
A cidade de Ieper foi reconstruída fielmente no estilo que era antes da Primeira Guerra Mundial. É perceptível como os imóveis aparentam ser mais novos em relação à edifícios das cidades menos destruídas pela guerra em Flandres.

O Nieuwerck, um anexo ao campanário, atualmente utilizado como parte da câmara municipal de Ieper, foi concluído apenas em 1967.

A exposição da história nos museus ou em monumentos existe para que nós não esqueçamos o que uma guerra pode provocar. É algo para ser lembrado. Lembrado para que as pessoas não permitam que aconteça novamente. Lembrado em solidariedade e respeito aos que partiram. Lembrado para refletirmos em situações onde a paz mundial seja colocada em risco.
Um comentário em “100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial – parte 2”