… É o que tem definido meu 2021.
Ano complicado. Tão difícil como 2019 (que na época eu imaginava que era um dos anos mais difíceis da minha vida) e 2020, porém, por razões diferentes.
Entre setembro e outubro de 2020, me deparei com situações que sabia que precisava enfrentar. Experiências do passado voltaram a me assombrar e precisei encará-las, então, voltei para a psicoterapia. Mesmo período em que a minha cachorrinha foi diagnosticada com câncer, e os tumores já estavam espalhados pelo corpo dela. Onde não podíamos sentir. Onde não podíamos ver. E não podíamos fazer nada além de aceitar os cuidados paliativos recomendados, pois aos dezoito anos de idade qualquer outra intervenção médica seria mais desconfortável para ela. Oferecemos tudo o que foi possível para que ela vivesse bem até sua partida, em 23.01.2021.
Continuo em psicoterapia e não tenho a intenção de interromper. Eu preciso me curar para seguir com os meu sonhos e realizar tudo o que eu mais desejo.
Para minha distração, tenho escutado podcasts, lendo livros e assistindo séries. E refletido muito. Agora temos uma bicicleta ergométrica em casa que também tem contribuído positivamente para a minha rotina, afinal, eu tinha desistido de praticar exercícios físicos por razões de indisposição para fazer qualquer coisa. Às vezes, me animo e escrevo para mim… Meus textos falam muito sobre mim, sobre as emoções que preciso compreender. Minhas inseguranças, vulnerabilidades, angústias, limitações, medos, emoções que me paralisam. Retornando ao passado para fazer as pazes com o agora. E assim, também praticando a autocompaixão.
Através dos podcasts, passei a escutar temas que me interessam, como o que envolve saúde mental ou diversidades da atualidade para distrair e dar um pouco de risada.
No começo do ano, comprei um Kindle, que é o leitor de e-books da Amazon, e super me adaptei. Nunca li tanto na vida por vontade própria. Talvez a praticidade seja determinante para isso. Estou quase encerrando a leitura de um dos livros que há tempos queria ler: A bailarina de Auschwitz, de Edith Eva Eger. Quando vi os exemplares empilhados em uma das bancadas de uma livraria do Brasil, o título chamou minha atenção e o prefácio despertou minha curiosidade, porém, não comprei porque seria algo a mais para eu carregar na viagem de volta para a Bélgica, então adicionei na minha lista de livros para ler, e agora, finalmente, estou quase no fim. Li o livro sentindo intensamente tudo o que é descrito junto com a autora. Fascinante. Um convite à reflexão.
No momento, a série que tem me distraído todas as noites é This is us, disponível na Amazon Prime Video até a terceira temporada aqui na Bélgica. A série é emocionante e quase todos os episódios me fazem chorar. É linda e me faz refletir sobre as histórias de cada personagem.
O distanciamento das redes sociais também tem contribuído positivamente. Cansei. Cansei de ver notícias estampando a realidade e um monte de gente fazendo de conta que está tudo maravilhosamente bem, compartilhando coisas completamente desconexas com a realidade que vivemos. Como mencionei lá em cima sobre os podcasts, achei que o Clubhouse seria uma rede social que eu fosse gostar por causa de ser algo focado na fala/audição, mas a maioria das salas de bate-papo traz pessoas com discurso de coach. Um porre! Mais um desserviço para a saúde mental das pessoas que são leigas e caem nessa. Ou seja, cansada, exausta e esgotada das pessoas virtualmente. Não aguento mais o fenômeno da positividade tóxica se espalhando normalmente por aí. Mindset. Esqueça o que não te faz bem. Gratiluz. Não aguento mais, apenas. É, acho que não me encaixo mais no mundo nas redes sociais pelo menos por enquanto. Talvez seja a idade…
Cliquei em follow e em unfollow para muita gente. Eu me decepcionei com pessoas que agiram de formas que vão muito contra o que eu acredito, moralmente e eticamente, refleti sobre muita coisa. Não acessar por tempo indeterminado minhas redes sociais é algo que só tem contribuído positivamente. Sempre senti amor e ódio por elas. Agora, silenciei.
Em novembro de 2020 foi decretado lockdown pela segunda vez aqui na Bélgica. No começo de março a situação começou a voltar ao normal, ainda muito distante de ser “normal”, ainda com regras, ainda com restrições, ainda com a obrigação do uso de máscaras e distanciamento, praticando a paciência, aguardando a vez de tomar vacina. Há mais de um ano tivemos nossas vidas reviradas, desorganizadas e desestabilizadas. Quantas mudanças… Sobrevivendo, dia após dia. Eu não teria razões para lamentar se não fossem as perturbações do passado voltando a se manifestar.
Tudo o que foi cancelado em 2020 por causa da pandemia, novamente foi cancelado em 2021 aqui na Bélgica.
Não sei qual será o futuro do blog. Tenho pensado sobre isso… não vou abandonar, mas talvez eu escreva um pouco sobre mim, acredito que os temas serão mais diversos. Meus pensamentos, talvez eu me apresente mais por aqui.
Até mais!
