desabafo, reflexão, uma dose de mim

Reflexão sobre redes sociais durante a pandemia

Confesso que não é algo que reflito desde o início da pandemia. Inicialmente, não sabia quanto tempo duraria (apesar de acreditar que a situação se estenderia por meses). No final de junho tudo começou a ser moderadamente normalizado por aqui com a diminuição de números de novos casos, internações e mortes, e apesar da incerteza em relação ao futuro, os meses de verão aliviaram um pouco as angústias. Entretanto, entre setembro e outubro os números voltaram a aumentar, talvez por causa do retorno das aulas ou simplesmente por causa da circulação de pessoas durante o verão (ou também por irresponsabilidade, já que os jovens estavam sendo imprudentes).

Eu até viajei com meu marido e a nossa Mel em julho e em setembro porque a situação estava consideravelmente controlada (obviamente que ainda assim nos arriscamos). Compartilhei nas redes sociais um pouco do que fizemos. Entretanto, em novembro, quando foi decretado lockdown pela segunda vez aqui na Bélgica, comecei a me sentir constrangida por ter compartilhado e comecei a perder a vontade de interagir com as pessoas virtualmente. Diminuí o tempo nos aplicativos e passei a controlar o tempo no celular.

Excluí a rede social mais tóxica da atualidade do meu aparelho em 01.01.2021, mas continuei a acessar outros aplicativos. Como mencionei em “Psicoterapia, podcasts, livros e séries”, testemunhar o ser humano compartilhando coisas completamente desconexas com a realidade que vivemos durante a pandemia através da tela do meu aparelho me causou muito desconforto. Foi revoltante, frustrante e decepcionante observar a falta de sensibilidade de alguns.

Com o falecimento da minha cachorrinha, fiz uma publicação comentando do carinho das pessoas para com ela que sempre senti, e as mensagens que recebi foram ainda mais afetuosas.  

Meses depois, limpei meu Instagram e excluí tudo o que aborrecia, o que não fazia mais sentido para mim e o que eu não queria apoiar mesmo que indiretamente (algo que eu sempre fiz frequentemente). Instalei o aplicativo novamente no meu celular e voltei a acessá-lo, mas não demorou para que eu percebesse o quanto aquilo tinha se tornado sem graça.

Ainda estou seguindo pessoas que estão na lista dos silenciados para evitar aborrecimento no relacionamento porque são pessoas que não compreenderiam o que comentarei a seguir. Gostaria que as pessoas entendessem que não é porque eu quero excluí-las de uma rede social que não gosto da companhia delas. O conteúdo de algumas pessoas definitivamente não me interessa, mas não quer dizer que não gosto delas. Publicações de algumas pessoas não me agradam e podem até me causar mal-estar emocional, e isso também não quer dizer que não gosto delas. Tem gente que se comporta muito diferente nas redes sociais e individualmente, e eu gosto delas apenas individualmente. A opção de silenciar realmente melhorou o que é exibido para mim.

Recentemente, tenho sentido vontade de publicar sobre o que tenho feito, mas na maioria das vezes acabo desistindo. Ainda me sinto desconfortável no Instagram. Estou tentando entender o porquê, afinal, continuei publicando tudo o que quis no YouTube, Twitter e Pinterest. Às vezes quero compartilhar algo que considero interessante, diferente ou legal, mas sempre acho que ainda não é o momento porque a pandemia ainda está por aí e as pessoas enfrentam batalhas ainda mais difíceis no dia a dia que eu nem imagino. Não quero parecer insensível/alienada/cafona. Não quero despertar mal-estar emocional. Fico me perguntando se é possível na rede social da glamourização, onde os usuários tanto comentam sobre empatia, mas raramente demonstram. 

Pois é, acho que perdi a paciência mesmo… ou talvez apenas não tenho mais disposição. 

Aqui ainda é onde mais me sinto confortável para me expor, independente do que eu decida publicar, é onde me sinto segura porque acredito que os leitores que chegam até aqui realmente entendem a minha intenção. Aproveitando, fica meu agradecimento a vocês que me acompanham, que entram em contato comigo, que compartilham, que sugerem, que incentivam, que comentam, que me aceitam aí do outro lado. Muitíssimo obrigada! 

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