Hoje eu trago o relato de como foi a minha experiência em relação a atendimentos e acompanhamentos que tive acesso na Bélgica desde o dia que descobri estar grávida até quando o meu filho estava com sete meses de idade (após, mudamos de país).

Importante mencionar que o sistema de saúde na Bélgica (Flanders) não é completamente gratuito e que todos os cidadãos precisam, obrigatoriamente, ter um plano de saúde para cobrir parte das despesas. Exemplo: quando você passa por um atendimento (consultório ou hospital), você paga pelo serviço que foi prestado ali no momento e depois você solicita o reembolso da sua seguradora (o valor do reembolso varia).
Quando eu descobri estar grávida, me vi num lugar completamente novo, desconhecido e assustador, e me senti insegura, o que me fez buscar informações para aliviar o medo que eu sentia. Informações que encontrei perguntando para pessoas que conhecia e que já tinham passado pela experiência de pré-natal, parto e pós-parto na Bélgica. Não encontrei algumas das informações que queria na internet, por isso, decidi compartilhar o que acho interessante aqui, e como eu sei que há curiosidade, vou compartilhar os valores que foram gastos com consultas, exames e com a hospitalização na maternidade.

Após suspeitas de que poderia estar grávida, comprei um teste de farmácia e o resultado foi positivo. Um mundo completamente novo para mim, tema que eu não sabia o que conversar nem mesmo em português.

No dia seguinte, liguei para agendar uma consulta com a ginecologista obstetra que eu gostaria que me acompanhasse, e fui informada de que eu deveria primeiro me consultar com o meu médico da família para que ele me examinasse e me orientasse sobre os passos a seguir, para depois eu me consultar com a minha médica.
Agendei consulta com o meu médico da família três dias depois que descobri estar grávida, quando estava com seis semanas de gestação. Ele coletou uma amostra do meu sangue para confirmar a gravidez, mediu minha pressão arterial e prescreveu ácido fólico para eu tomar durante a gestação. Valor pago pela consulta: € 4,00.
Após, liguei para o consultório da médica para agendar uma consulta, e então fui informada que gestantes só passam por consulta com ginecologista obstetra a partir de oito semanas de gestação.
Finalmente, chegou o dia da consulta com a médica, quando já tínhamos completado dez semanas de gestação. Ela me examinou, respondeu as dúvidas que eu tinha e me orientou. Escutamos os batimentos do coração do bebê e vimos as imagens de ultrassom. Valor pago pela consulta: € 60,00. Reembolsado € 26,02.
Recebi um e-mail com o cronograma das datas de todas as consultas durante a gestação e após o parto.
Com 14 semanas, tivemos consulta com a obstetra para monitoramento do desenvolvimento do bebê. Valor pago pela consulta: € 70,00. Reembolsado: € 41,20. Ela solicitou o exame de triagem pré-natal não invasivo (NIPT), que identifica a possibilidade das trissomias 21, 13 e 18. A análise do DNA fetal é realizada através das amostras de sangue da mãe, que, no meu caso, foram coletadas no hospital AZ Alma, em Eeklo, onde a obstetra atendia. Meu sangue também foi coletado para identificar o sexo biológico do meu bebê. Custo dos exames: € 237,91 + 45,98. Valor pago por mim: € 8,68 + 32,96.
Após uma semana, recebi os resultados dos exames NIPT e de identificação do sexo biológico do bebê. Vale ressaltar que os resultados de todos os exames e de todas as consultas com a obstetra, incluindo as informações sobre o parto, foram recebidos através de correspondência e também enviados para o meu perfil do aplicativo “mynexuzhealth”.

Semana 16: mais uma consulta com a obstetra. Vimos os resultados dos exames NIPT e de identificação do sexo biológico do bebê juntas. Ela confirmou o sexo biológico do bebê através da ecografia. Conversamos sobre os temas que eram importantes no momento e ela explicou todas as dúvidas que eu tinha. Valor pago pela consulta: € 50,00. Reembolsado: € 15,80.
Semana 18: liguei no hospital para agendar a consulta com a midwife (do hospital), que foi agendada para um mês depois.
Semana 20: consulta com a obstetra. Ela analisou o desenvolvimento do bebê e preencheu uma guia com os exames que eu precisaria fazer no hospital entre as semanas 24 e 28, que incluíam: teste de glicose, exame hematológico e exame de toxoplasmose. Valor pago pela consulta: € 90,00. Reembolsado € 60,70.
Semana 23: consulta com a midwife do hospital. Lá, ela explicou um pouco sobre os procedimentos para o parto e nos mostrou a sala de parto e o quarto.
No hospital AZ Alma (e acredito que na maioria dos hospitais da Bélgica), a sala de trabalho de parto e a sala de parto estão num único ambiente multifuncional para ambos os propósitos. A luminosidade e o som podem ser escolhidos pela mãe. Uma banheira para relaxamento e bolas estão disponíveis para auxiliar o trabalho de parto. Após o nascimento, o bebê permanece com a mãe por pelo menos uma hora ali.
A midwife que me atendeu no hospital me orientou e sugeriu quais eram as midwives que atendiam na região onde eu morava para que a profissional que eu escolhesse me acompanhasse durante o pré-natal e me auxiliasse após o nascimento do bebê.
Semana 24: consulta com a obstetra. Conversamos sobre como eu estava me sentindo e vimos as imagens de ecografia para análise do desenvolvimento do bebê. Valor pago pela consulta: € 50,00. Reembolsado € 18,00.
Nesta consulta, a médica entregou uma declaração atestando a minha gravidez para que eu pudesse solicitar um benefício financeiro do governo de Vlaanderen (Het Groeipakket) referente ao nascimento do meu bebê. O valor é fixo: € 1.190,68 (2023). Após o nascimento, todas as crianças têm o direito de receber mensalmente uma quantia como benefício financeiro que depende da situação de cada família, entretanto, o mínimo (base) é de € 173,20 e o auxílio permanece até 18 anos de idade (em alguns casos, 21 ou 25). O benefício financeiro é depositado na conta corrente da mãe do bebê.
Semana 26: estive no hospital para fazer o exame de glicose (diabetes gestacional). Custo: € 63,71. Valor pago por mim: € 8,70.
Consulta com o médico da família para que meu marido e eu tomássemos a vacina Boostrix (contra difteria, tétano e coqueluche).
Semana 27: a obstetra me ligou para me informar que o resultado do meu exame de glicose estava acima do esperado, então, eu precisaria fazer o exame novamente, agora em jejum e com três amostras de sangue: uma antes de ingerir o líquido, segunda vez após uma hora de ter ingerido o líquido e terceira vez após duas horas de ter ingerido o líquido. No dia seguinte, fui até o hospital e fiz novamente o exame.
Semana 28: consulta com a obstetra. Conversamos sobre como eu estava me sentindo e vimos as imagens de ecografia para análise do desenvolvimento do bebê. Valor pago pela consulta: € 75,00. Reembolsado € 44,80.
Semana 32: recebi o benefício financeiro do governo de Vlaanderen referente ao nascimento do meu bebê. Eu optei receber pela pagadora Infino.
Consulta com a obstetra: conversamos sobre o desenvolvimento do bebê e ela esclareceu as minhas dúvidas. Valor pago pela consulta: € 50,00. Reembolsado € 18,00.
Semana 34: estive com a midwife que escolhi para me auxiliar pela primeira vez. Ela questionou sobre a minha saúde e preencheu uma ficha de cadastro bem detalhada, explicou o básico sobre os atendimentos com a médica, sobre os tipos de assistência domiciliar que eu teria direito após o nascimento do bebê, perguntou sobre o que eu buscava nos atendimentos com ela, e então entendeu os temas que seriam importantes trabalhar comigo. Verificou minha pressão arterial, urina e peso, e também a posição e batimentos cardíacos do bebê. Também esclareceu questões mais burocráticas que eu deveria saber.
A assistência domiciliar inclui cuidados com o bebê, com a mãe e com a casa (cuidar de outros filhos, tudo o que envolve limpeza/manutenção da casa, cozinhar para a família e mercado). O custo varia de acordo com o plano de saúde e renda da família.
Para a região onde eu morava, se eu tivesse interesse, eu poderia receber assistência domiciliar do grupo Kraamzorg “De Wieg”.
Semana 35: consulta com a midwife para ela me explicar sobre o parto.
Ela me explicou sobre tudo o que é considerado normal no final da gestação, os sinais que indicam o início do trabalho de parto e o que fazer para aliviar a dor das contrações, como o bebê nasce, quais são as posições mais recomendadas para o parto e os motivos, o momento de ir para o hospital e o que normalmente acontece desde a hospitalização até o momento de ir para casa com meu bebê, sobre as vias de parto e meus direitos. Eu achei tão útil, importante e necessário. Foi informativo, e tudo o que eu aprendi ali me deixou mais tranquila. Verificou minha pressão arterial, urina e peso, e também a posição e batimentos cardíacos do bebê.
Semana 36: consulta com a midwife para ela introduzir sobre amamentação.
Ela me explicou o básico para iniciação no hospital e assim que chegar em casa.
Consulta com a obstetra para exames de rotina e checagem de bactérias que poderiam ser transmitidas para o bebê no momento do parto (acredito que é conhecido como exame do cotonete no Brasil).
Semana 38: consulta com a obstetra para exames de rotina e esclarecimento de dúvidas.
Semana 39: consulta com a obstetra para exames de rotina e esclarecimento de dúvidas.
Semana 40: 12 de junho, data prevista para o nascimento. A partir daqui, eu precisei ir a cada dois dias no hospital para monitoramento.
13 de junho: monitoramento no hospital durante o dia.
15 de junho: monitoramento no hospital durante o dia.
16 de junho: de madrugada, acordei sentindo cólicas. A midwife foi até a minha casa à tarde e avaliou que eu tinha um centímetro de dilatação e contrações. Saímos de casa por volta das 23:00 para ir à maternidade, pois eu comecei a sentir as contrações de forma que indicavam que eu deveria ir para o hospital.
17 de junho: dia do nascimento do meu filho.
Eu cheguei a publicar resumidamente sobre o parto, e por aproximadamente vinte dias eu mantive aqui, mas optei por apagar para preservar a minha privacidade.
Sobre os custos da hospitalização na maternidade, nós pagamos por termos optado por um quarto particular (diária: € 55 + taxas), por produtos para bebê/mamãe e algo para o acompanhante. Na fatura que recebemos do hospital detalhando os custos da minha hospitalização: aproximadamente € 5.000,00.
Após voltarmos para casa, a midwife passou a me visitar a cada dois dias para verificar o peso do meu filho e me auxiliar no processo de amamentação (que foi bastante difícil). Foram cerca de dez dias assim, e depois as visitas ficaram mais espaçadas. Conforme tudo começou a se encaixar, a ajuda da midwife deixou de ser uma necessidade para mim, mas ela se colocou à disposição para ser consultada até dois anos e meio do meu filho, e se eu não tivesse mudado de país, com certeza teria procurado por ela para orientação com a introdução alimentar e muitas das dúvidas que surgiram em 2024. Eu não posso afirmar, mas se eu não me engano, o meu plano de saúde me possibilitava sete sessões sem custos com a midwife (após, é necessário pagar).
Tive uma para consulta com a obstetra após um mês do nascimento do meu filho, e ela recomendou que eu fizesse fisioterapia para fortalecer a musculatura do meu corpo. Então, eu fiz. Custo: não tenho informações, nem lembro se o plano de saúde reembolsou.
Em Flanders, os bebês são acompanhados pela organização “Kind en Gezin”, que faz parte da agência Opgroeien, que atua ativamente na área de políticas de saúde pública e família. Lá, os profissionais conversam com os responsáveis pelo bebê para colher informações do dia a dia e acompanhar o desenvolvimento do bebê (físico, mental, emocional e social), aconselhando sobre o desenvolvimento do bebê e ajudando com as dúvidas da família, além de sempre estarem atentos ao bem-estar da mãe. E também aplicam as vacinas que são obrigatórias. É um lugar onde a família é acompanhada desde o nascimento do bebê até ele completar três anos de idade (gratuitamente).
Para quem tiver interesse sobre o calendário de vacinação em Vlaanderen, clique aqui. Uma curiosidade é que algumas das vacinas são compradas em farmácia e levadas até os profissionais para aplicação.
Ainda sobre vacinação, optamos por vacinar o meu filho contra uma doença que não fazia parte do calendário de vacinação do governo, e quem aplicou foi a pediatra dele no consultório dela, e eu não sei se os profissionais que atendem em Kind en Gezin estão autorizados a aplicar em casos assim.
Quando mudamos da Bélgica para Portugal, o meu filho deixou de receber o benefício financeiro de Flanders, e após retornarmos para a Bélgica, ele voltará a receber. E também voltará a ser acompanhado pela Kind en Gezin até completar três anos de idade, ou até começar a frequentar a escola.
