Com a conquista de uma estrela pelo Guia Michelin em 2018, o restaurante localizado em Gent é conduzido pelo chef Marcelo Ballardin.
Inspirações do mundo são expressadas pela cozinha contemporânea do OAK. Os produtos sazonais passam por processamentos que elevam os aromas dos pratos, e é claro que o sabor também.
Os clientes não têm acesso ao menu antes de se acomodarem no restaurante, mas a equipe tem o cuidado e se dispõe a alterar os pratos (se for o caso) para pessoas com restrições alimentares ou vegetarianas, desde que o conceito não seja alterado.
Todos os aperitivos que foram servidos antes das entradas já me conquistaram.
Optamos pelo menu com sete pratos: 4 entradas + prato principal + 2 sobremesas.
Os ingredientes em si são acessíveis para o consumo do dia a dia na Bélgica, e o interessante está em como eles podem ser transformados por profissionais que estudam e entendem as técnicas da gastronomia. A delicadeza está em tudo o que é preparado e a combinação dos sabores que são elaborados é tão harmônica que desperta a curiosidade e a expectativa pelo que virá no prato a seguir.
O ambiente é informal, confortável e aconchegante.
Em nenhum momento os copos permaneceram vazios ou faltou algo.
Fomos bem atendidos do início ao fim da experiência. A pessoa que nos recepcionou demonstrou atenção e questionou prato a prato sobre como foi a experiência. O chef se dirigiu a todas as mesas para apresentar pelo menos um dos pratos que foram oferecidos, e os demais foram apresentados aleatoriamente pela equipe que explicou gentilmente o conteúdo de cada um.
Estrela merecida! A qualidade em tudo só contribuiu para que que a data com importância para nós se tornasse ainda mais especial.
Este texto será a base para outras publicações relacionadas à Gante (em neerlandês: Gent / em francês: Gand) e traz um pouco dos pontos mais importantes da história da cidade.
Gante é a capital da província de Flandres Oriental e é considerada uma das cidades mais animadas e mais agitadas da Bélgica. Cerca de 77.000 estudantes de ensino superior contribuem para isso.
Um pouco mais de 260.000 pessoas habitam Gante e estima-se que 11% da população é estrangeira.
Duas histórias sobre a origem do nome da cidade se destacam: a primeira indica a relação com a palavra celta “ganda”, que significa confluência, enquanto a outra menciona uma deusa chamada “Gontia”, entretanto, a maioria dos historiadores considera a primeira.
Evidências arqueológicas indicam a presença dos humanos na região durante Idade da Pedra.
É considerado que o primeiro assentamento da cidade surgiu no século I, na região onde os rios Schelde e Leie se encontram.
Com a fundação das abadias Sint-Baafsabdij e Sint-Pietersabdij pelo missionário Amandus durante o século VII, a cidade foi transformada.
A cidade se destacou durante a Idade Média em razão da produção de tecidos. Gante prosperou entre os séculos XI e XIII, quando cerca de 65.000 pessoas viviam na região, porém, assim como as cidades de Flandres, foi enfraquecida depois de ter sido invadida e capturada pelos espanhóis no final do século XVI, e em razão dos conflitos gerados por questões religiosas envolvendo o monarca da época, Felipe II de España, parte da população deixou a cidade até o século a seguir, resultando na diminuição de 20%.
No século XVII, Gante voltou a prosperar e aconteceram renovações na área da construção, tanto nos prédios de domínio público quanto em moradias, porém, a cidade foi invadida por tropas francesas e por tropas inglesas durante os conflitos da época, o que contribuiu para mais um período de crise econômica da região que permaneceu até a metade do século XVIII. O Império Habsburg investiu na infraestrutura da rede marítima da cidade após 1750, estimulando o comércio de Gante.
Após a Batalha de Waterloo, três universidades nacionais foram instaladas no sul dos Países Baixos. Em Gante, a Universiteit Gent foi inaugurada em 1817. O idioma oficial utilizado era o latim. Em Leuven e Liège foram instaladas as demais.
Após a independência da Bélgica (1830), acessos dos canais que se conectavam com o mar foram fechados por mais de uma década. Após a liberação e investimentos na rede marítima para novamente estimular os negócios, Gante voltou a se desenvolver e a população aumentou. A construção da primeira estação ferroviária de Gante – Gent-Dampoort – em 1861, contribuiu para o acesso à cidade.
Gante foi invadida pelos alemães nas duas guerras mundiais e foi atacada por bombardeios, mas os edifícios históricos não foram afetados drasticamente.
O território de Gante foi consideravelmente expandido entre as décadas de 1960 e 1970. Em 1980, restaurações que preservaram as características originais do centro histórico aconteceram na cidade com o objetivo de atrair mais turistas.
Gravensteen
A região central exibe um pouco da história de Gante, onde se destacam o castelo Gravensteen, a Igreja de São Miguel, a Igreja de São Nicolau, o Belfort, a Catedral São Bavão, o edifício da prefeitura e o pavilhão com a arquitetura que é destaque na Poeljemarkt. Ainda estão entre os destaques por ali: as ruas Graslei e Korenlei beirando o Leie (canal), e a praça Korenmarkt.
Desde a Idade Média que os canais de Gante são conectados com o mar. As rotas foram alteradas de tempos em tempos por diferentes razões, e durante o século XIX, a conexão entre o porto North Sea e o mar foi estabelecida do Rio Schelde até Terneuzen (Países Baixos). O canal Gent-Terneuzen possui, aproximadamente, 32 km de extensão. Navios de até 125.000 toneladas têm acesso à via.
Também existem museus e parques espalhados pela cidade. No beco Werregarenstraatje, a arte de rua é expressada nas paredes, contrastando com as construções quase que monocromáticas do centro histórico e contribuindo para a diversidade da arquitetura.
Atualmente, as instituições de ensino superior de Gante oferecem mais de 230 cursos para os estudantes. São duas universidades e quatro faculdades instaladas na cidade, além dos cursos de pós-graduação. A UGent é referência na região de Flandres e se destaca entre as instituições onde o neerlandês é o idioma oficial.
A cidade é famosa pela sustentabilidade e por se destacar como a pioneira do vegetarianismo, onde a campanha “Donderdag Veggiedag”, de 2009, incentiva que as pessoas não comam os animais na quinta-feira.
A prática do ciclismo é comum entre os moradores da região de Flandres, o que contribuiu para os 400 km de ciclovia.
É comum a exploração de animais em nome do turismo em Gante, como, por exemplo, cavalos puxando charretes. Não patrocine! Não apoie. Não incentive. Não fotografe porque acredita que é bonito. É cruel. Todo ano tem proibição por maus-tratos identificados, mas a prática ainda é permitida no país.
Eventos anuais acontecem na cidade, e o Gentse Feesten se destaca por acontecer durante dez dias no mês de julho e atrair mais visitantes a cada ano. Na cidade também acontecem vários festivais culturais envolvendo todo tipo de arte durante o ano inteiro. Durante o inverno, o mercado de Natal está entre os melhores do país.
Gante é adorável por tudo o que foi citado acima, especialmente pela diversidade. É uma cidade que oferece um pouco de tudo para todos.
Em breve, publicarei mais informações sobre lugares interessantes para conhecer em Gante, especialmente sobre o turismo, mas também sobre culinária, artes, esportes, curiosidades, entre outros temas. Acompanhe!
O tema de hoje é sobre os Mercados de Natal em Bruges, Gante, Antuérpia e a capital Bruxelas.
Em maioria, as cidades belgas da região de Flandres atualmente se referem aos mercados como “Wintermarkt” (mercado de inverno) pela diversidade cultural que é encontrada no país.
Com os dias cada vez mais escuros, começa a expectativa pelas festividades e mercados de inverno por aqui.
Os mercados natalinos da Europa parecem cenários de contos de fadas que acompanhamos em filmes. Alguns são mais populares e mais estruturados que outros, mas todos são charmosos. É mágico!
Surgiram no fim da Idade Média no antigo Sacro Império Romano-Germânico. O registro mais antigo já encontrado sobre os mercados natalinos é do século XV, mas eles já aconteciam antes. É impossível saber o local em que aconteceu o primeiro mercado natalino já que não existe concordância. A tradição se espalhou rapidamente em algumas regiões da Áustria, França, Suíça, Itália, além da Alemanha, é claro.
Os mercados de inverno da Bélgica melhoram um pouco a cada ano para receber os visitantes. Vale a pena conhecer!
A visita aos mercados natalinos é ideal para a família ou entre amigos.
Bruges
A cidade em si já é um encanto à parte. Com a decoração natalina e luzes por todos os lugares fica ainda mais charmosa.
Dois locais abrigam as atrações do mercado de Natal: as praças Grote Markt e Simon Stevinplein – menos de cinco minutos caminhando distanciam as praças.
Na Grote Markt fica a pista de gelo e barracas com comidas (salgada e doce) para comer no local e especialidades locais para levar, vestuário (gorros, luvas, meias, cachecóis e trajes natalinos), lembranças, produtos artesanais, itens natalinos, brinquedos, entre outras.
Grote Markt
Na Simon Stevinplein também estão as barracas tradicionais e de bugigangas, espaço com fliperama e outros tipos de jogos que atraem as famílias, algumas atrações infantis (carrinho de bate-bate e carrossel, além de brincadeiras tradicionais que dão prêmios), e um bar um pouco mais agitado.
As barracas de comida deixam a desejar por falta de variedade. Para quem é vegetariano/vegano não há opção, a não ser uma barraca quase que despercebida de batatas fritas que parece não fazer parte do mercado e fica na frente do Belfort.
Diferente das cidades que também fazem parte dessa publicação, em Bruges não tem roda gigante. No entanto, tem uma atração especial que é paga e fica perto da estação principal da cidade: Ice Sculptur Festival Brugge – com a temperatura de -6°C, e a atração exibe esculturas feitas de gelo.
Quando acontece: 03/11/2018 a 01/01/2019.
Gante
O organizado e estruturado mercado de Natal de Gante – Gentse Winterfeesten – acontece a partir da Korenmarkt (praça principal) e segue pela rua Klein Turkije até Sint-Baafsplein, além das atrações que se encontram na praça em frente ao castelo Gravesteen.
150 barracas são instaladas no centro de Gante.
Para comer: tem comida típica da Bélgica e dos países europeus que também seguem à tradição. Opções para vegetarianos/veganos são encontradas no mercado, ou seja, o mercado inclui possibilidades para todos.
Alguns bares tanto abertos quanto fechados estão à espera do público.
Também tem as barracas que vendem os produtos de vestuário para o inverno. Tem todo tipo de itens para decoração. É possível encontrar um pouco de tudo. Tem barraca de alho, de queijo, de amendoim, de waffle, de doces, de brinquedos produzidos artesanalmente… de tudo!
Apresentações de bandas ao vivo e/ou artísticas acontecem no mercado. As crianças são mimadas diariamente pelo Papai Noel ou por personagens que remetem ao encanto do Natal.
Stadshal: onde fica a pista de gelo para patinação – tem área especial para os pequenos. Ao redor da prefeitura também tem barracas e um bar que remete aos que são encontrados em estações de esqui dos alpes.
O clima do mercado de inverno de Gante é muito agradável.
Quando acontece: 07/12/2018 a 06/01/2019.
Antuérpia
O centro de Antuérpia é transformado para o mercado de Natal (Kerstmarkt Antwerpen). As barracas com artigos acerca do Natal são intercaladas entre produtos alimentícios, acessórios para vestir, decorar ou presentear, e estão instaladas na praça Groenplaats, Grote Markt, seguindo pela rua Suikerrui até a praça Steenplein. O mercado cresce um pouco mais a cada ano.
A pista de gelo fica na Groenplaats e ao lado tem um bar de inverno instalado, onde acontecem apresentações musicais ao vivo. Ao redor da pista de gelo estão as barracas de vestuário para proteger as extremidades do corpo, bolsas, carteiras, de doces tipicamente natalinos e de bebidas.
Na Grote Markt tem barracas com artigos para decoração, comida, bebida, bancos espalhados para sentar e aproveitar a festa, além da árvore de Natal. As luzes instaladas em alguns prédios da praça contribuem para o ambiente ficar ainda mais bonito.
Entre as barracas tem uma que é dedicada especialmente para animais de estimação com todo tipo de item.
O caminho da Grote Markt para a praça Steenplein é decorado para a passagem e também tem barracas.
Na praça Steenplein tem barracas com objetos um pouco diferentes que são sugestões para presentes. Para comer e beber também tem algumas opções, mas não tem tanta variedade. Ali também tem uma tenda (fechada e aquecida) com bar e espaços com mesas e cadeiras para se acomodar e beber, onde também tem música. Tem opção vegetariana/vegana para lanchar. É onde a roda gigante também está instalada.
O mercado de inverno de Antuérpia é animado e bem aconchegante.
Na Grand Place / Grote Markt de Bruxelas acontece um show de som e luz que é impressionante. Não tem quem veja e não se encante.
Ao redor do prédio da Bolsa de Valores estão algumas das mais de 200 barracas que são instaladas na região. As atrações do mercado de inverno também estão nas praças Sainte-Catherine e de la Monnaie, além da região do mercado de peixes (marché aux poissons / vismarkt).
Reprodução: plaisirsdhiver.be
Os tipos de mercadorias das cidades que citei acima também são encontrados no mercado da capital, com um pouco mais de variedades. Tem, inclusive, uma barraca com apenas comida típica do Brasil (administrada por brasileiros). Obviamente, faz sucesso entre os brasileiros que passam pelo caminho. Também são encontradas barracas com comida típica de outros países, refletindo a diversidade de Bruxelas. Cada ano tem um país com as especialidades em destaque, e em 2018 foi a Finlândia.
A pista de gelo está na Place de la Monnaie.
A roda gigante de Bruxelas fica na região do mercado de peixes. Lá também estão os chalés com produtos para comer e beber no local ou levar, espaços para fazer as refeições e barracas com variedades.
Atrações em algumas datas específicas também são apresentadas nas ruas (consultar o site oficial do evento).
Além da mistura dos cheiros de comida, o cheiro de qualquer coisa que é feita de açúcar ou das especiarias do tradicional vinho quente dos mercados de Natal – glühwein – pode ser sentido de todos os lugares. É muuuito bom!
Com exceção de Bruges, as pistas de gelo das demais cidades são cobertas e permitem patinar com chuva. Banheiros são instalados nas ruas para os visitantes. Tem os comerciantes que não aceitam cartões de débito/crédito, então é importante ter dinheiro em espécie.
Vale ressaltar que o texto foi escrito com base em experiência pessoal nos mercados no inverno de 2018. Datas e as atrações alteram a cada ano.