Este é um dos textos sobre uma viagem pela Normandia.
Hoje abordaremos sobre três cidades que estão localizadas no departamento de Calvados: Honfleur, Deauville e Bayeux.
Honfleur
Localizada às margens do Rio Sena, antigamente, Honfleur era uma das bases do comércio marítimo que tanto contribuíram para a economia da região.
Honfleur é datada do século XI. O porto da cidade foi importante para o transporte de mercadorias na rota Rouen-Inglaterra a partir do século XVII, período em que foi construído. Um dos destaques também com importância para a cidade foi em 1608, quando a expedição de Samuel de Champlain resulta na fundação da cidade de Quebec, no Canadá.
Já no século XIX, Honfleur é conectada com o Impressionismo, estilo de pintura do século XIX em que uma das características é fazer a arte fora do ateliê com inspiração no ambiente natural sem qualquer alteração. Um dos representantes do movimento é Claude Monet, porém, foi através de Eugène Boudain que Honfleur se destacou no que se refere à pintura. Eugène Boudain nasceu em Honfleur em 1824 (e morreu em Deauville em 1898). É considerado um dos precursores do estilo impressionista e incentivador (e amigo) não apenas de Monet, mas dos artistas que também costumavam buscar inspiração ao ar livre em Honfleur.
A imagem mais comum encontrada através da pintura retrata Vieux Bassin, que se tornou o cartão postal da cidade: as casas germinadas, estreitas e altas, construídas entre os séculos XVI e XVII para os nobres, juntamente com os barcos que ficam estacionados ali nas docas.

O cenário da cidade explica a razão de o Impressionismo ser associado à região. Não é à toa que os trabalhos dos pintores impressionistas retratam exatamente a mesma imagem em diferentes horários do dia justamente com o intuito de captar as mudanças de cor e de luz do ambiente.
A cidade permaneceu murada por anos e seu porto teve papel com relevância para as forças militares da França. Durante os períodos de guerra, foi uma das cidades da Normandia que foi poupada de destruição.
Ao caminhar pelas ruas da cidade, encontramos lojas de souvenirs com especialidades locais: uma bebida alcoólica produzida de maçã com conhaque que é envelhecido em barril por pelo menos dois anos conhecida como Calvados e doces feitos a partir do caramelo. Bebidas como Pommeau e Cidra também são bem típicas de Honfleur. É comum que artistas locais exponham seus trabalhos nos espaços que são públicos.
Vale a pena visitar a Igreja Santa Catarina (Église Sainte Catherine), que é considerada uma das atrações mais populares da cidade. Ela é diferente das igrejas que já tinha visto, pois foi construída de madeira pelos moradores durante o século XV.



Em frente à igreja, a torre do campanário é um anexo do Museu Eugène Boudin que apresenta obras religiosas e lembranças das instituições de caridade.

Ao redor do antigo porto e nas ruas das proximidades, além de lojas de souvenirs e restaurantes, estão os celeiros de sal do século XVII que atualmente abrigam exposições e eventos que acontecem na cidade.
Honfleur é uma das cidades da Normandia que vale a pena visitar, nós passamos cerca de três horas ali sem obrigações de fazer isso ou aquilo como roteiro. Percorremos as ruas a pé e apreciamos o que o vilarejo tem a oferecer aos olhos. Para quem quiser dedicar mais tempo, não faltam atrações. Museus que retratam o estilo de vida da população do vilarejo, arquitetura, obras dos artistas do Impressionismo e os celeiros de sal estão disponíveis aos visitantes.

Para mais informações sobre atrações em Honfleur, clique aqui.
Dica de onde comer em Honfleur: La Cantine.
Deauville
Localizada na costa da Normandia, Deauville atrai hóspedes (em maioria, parisienses) com poder aquisitivo um pouco mais elevado que as cidades da região. É conhecida como o berço da moda de Coco Chanel, pois foi lá que a primeira loja da estilista foi aberta (mas já não existe mais), por isso, lojas com itens luxuosos e de grife também estão instaladas ali.

A primeira referência encontrada sobre a região de Deauville é do século XI. Após investimentos do século XIX, a cidade se tornou um dos balneários mais queridos da elite de Paris.
Um dos cartões-postais da cidade são os guarda-sóis que ficam na areia da praia. Também se destacam o calçadão conhecido como Les Planches e as cabines para a troca de roupas que são grafadas com o nome de artistas que já estiveram na cidade.

Tem os artistas que visitam a cidade a passeio, assim como aqueles que costumam visitar Deauville para participar dos eventos que ali acontecem, como o Festival de Cinema Americano, que acontece anualmente no mês de setembro.
Para quem deseja jogar, um cassino que está localizado na avenida beira-mar é uma opção.
Para quem deseja relaxar, basta escolher um dos spas que estão espalhados pela cidade.
Vitrines não faltam para quem busca ir às compras.



A prática de esportes náuticos é comum no balneário e atrai interessados especialmente nos meses de verão. Em Deauville é comum a prática de esportes com o uso de cavalos, e quem acompanha o blog regularmente sabe eu sou contra o uso de animais para qualquer prática, porém, infelizmente, ainda acontece.
Para quem for permanecer na cidade por mais tempo, atrações não faltam. Inclusive, passar o tempo na praia se o clima permitir.
É uma cidade que vale a pena se perder e observar os detalhes de tudo, e entender através do que encontrar nas ruas a razão de a cidade atrair o público que atrai. Confesso que a mistura de estilos normando, gótico e art decó das construções foi o que mais me encantou. A cidade é pequena, permanecemos por cerca de três horas nela e não nos preocupamos em cumprir atividades envolvendo o turismo, caminhamos por ela sem pretensões e aproveitamos o que pudemos.

Para mais informações sobre atrações em Deauville, clique aqui.
Dica de onde comer em Honfleur: Le Jardin.
Bayeux
O local onde se encontra a cidade de Bayeux foi fundado como um assentamento galo-romano no século I a.C., nomeado de Augustoduro.
Eventos com importância aconteceram na região.
A Tapeçaria de Bayeux (Tapissarie de la Reine Mathilde), apesar de “tapeçaria”, é um bordado com cerca de 70 metros de comprimento e 50 centímetros de altura que descreve os eventos com importância para a cidade durante o século XI e atualmente está em exposição no Musée de la Tapisserie de Bayeux. A peça foi listada em 2007 na categoria Memória do Mundo pela UNESCO. Atualmente, acredita-se que a obra foi produzida na Inglaterra.
Já no século XX, Bayeux foi a primeira cidade francesa a ser libertada dos alemães pelos Aliados após o desembarque na Normandia, o dia D, em 6 de junho de 1944.
Apesar dos conflitos durante os períodos de guerra, a arquitetura do centro histórico de Bayeux foi preservada.

Bayeux abriga museus, memorial/cemitério de guerra e a catedral gótica de Notre-Dame construída entre os séculos XII e XV. A catedral iluminada com projeções coloridas fica ainda mais bonita de noite. É possível avistá-la de longe.

Assim como as cidades já mencionadas acima, Bayeux é uma cidade para ser explorada a pé também pela facilidade. Chegamos em Bayeux quase à noite e não exploramos tudo o que gostaríamos por falta de tempo, mas percorrer as ruas da cidade só despertou ainda mais a vontade de voltar lá e visitar, principalmente, os museus que exibem um pouco de história da região.

Para mais informações sobre atrações em Bayeux, clique aqui.
As três cidades são lugares que merecem um pouco de atenção ao viajar pela Normandia, seja para explorar a história que carregam ou simplesmente pela graciosidade.







