Se você me acompanha aqui, talvez você saiba do meu carinho por animais, especialmente por cães.
Em janeiro, a Mel nos deixou com quase dezenove anos de idade. Ela teve uma vida linda, repleta de amor de todas as pessoas com quem conviveu/convivia. Ela foi muito amada, respeitada e cuidada. Eu ainda sinto muito a falta dela, mas também me sinto em paz por ter oferecido tudo o que ofereci a ela, que é um consolo. Também me sinto muito sortuda por ter tido a oportunidade de conviver com ela, que tanto me ensinou.
Por enquanto, eu não penso em ter um cão (mas um dia terei novamente, sei disso), porém, pensando em ter um pouco de contato com os seres mais amáveis do universo, surgiu a ideia de receber os cães na minha casa.
Meu trabalho como dog-sitter consiste em cuidar dos cães quando eu for solicitada. Ofereço os cuidados apenas na minha casa. Eles podem passar o dia e a noite aqui, por um dia ou mais. Posso me adaptar às necessidades de cada tutor e de cada cão de acordo com a minha disponibilidade. Recebo até dois cães por dia, desde que eles sejam da mesma família.
O tema de hoje será um pouco diferente do que geralmente costumo abordar aqui. Vou abrir meu coração e comentar um pouco sobre mim, e talvez, sobre você.
Por muito tempo eu tive vergonha das minhas dores. Assim aconteceu porque me fizeram acreditar nisso. Era desnecessário. Era vitimismo. Era ingratidão. Era mimimi. Era coisa de momento que com o tempo passaria. Por longos anos. Hoje eu acredito que o interesse em cursar Psicologia veio daí. Eu queria ajudar o outro a se compreender, porém, era exatamente a necessidade que eu tinha. Fiz terapia com abordagem psicanalítica e isso me ajudou em todos os aspectos que você pode imaginar, especialmente, ajudou com que eu encontrasse o caminho para identificar quem eu realmente era, pois por anos eu me submeti em ser quem as pessoas gostariam que eu fosse, fazia esforços para agradar, para me sentir pertencente, para me sentir amada, para ser aceita, e nunca conquistei nada do que desejava. Depois de me encontrar, continuei vivendo da forma que era melhor para mim. Anos passaram. Mudei de país e desde então não trabalhei mais na área em que sou formada. 2020 chegou e com ele os monstros voltaram a me assombrar mais intensamente (afinal, eles nunca deixaram de me acompanhar e de tempos em tempos voltam mais cruéis comigo). Voltei para terapia e tudo ficou muito evidente, precisaria voltar a encarar o que tanto me assombra. Estou novamente vivendo, entendendo e enfrentando a minha realidade.
Até hoje, muita gente ainda não compreende, mesmo com o tema sendo mais discutido por aí.
Foi cursando Psicologia que eu entendi que eu precisava me respeitar. Foi quando eu desenvolvi ainda mais a empatia que sempre habitou em mim. Que NUNCA devemos diminuir a dor do outro por mais incompreensível que pareça ser, que não sabemos a dor que o outro sente, mas que com um pouco de sensibilidade podemos sentir com o outro.
A minha dor importa. A sua dor importa.
Não permita que diminuam a sua dor. Sinta. Expresse. Busque por psicoterapia. Não acredite quando alguém disser que sua dor é mimimi e que você não tem razões para senti-las. Não aceite que alguém fale que sua dor é falta de ter o que fazer. Não dê voz a quem não respeita o que você sente. Tenha cautela, pois nem todos estão dispostos a ouvir, acolher ou tentar compreender o que você sente. Existem pessoas que simplesmente não sabem o que fazer. Acredite em você, sinta, acredite no que o seu coração diz. Não se culpe ou exija o que está além do seu poder. Tenha autocompaixão.
A sua dor não é comparável com a dor do outro, é sua.
Não é desnecessária.
Não é vitimismo.
Não é ingratidão.
Não é mimimi.
Não aceite que alguém invalide suas emoções, pensamentos ou sentimentos. O tempo não tem o poder de resolver algumas coisas. Isso é o que diz quem não tem a capacidade de se colocar no seu lugar. Cuide-se! Não hesite em buscar ajuda.
E se você é a pessoa que está percebendo o quanto está sendo difícil para o outro, respeite (é o mínimo que você deve fazer), e não diminua o que a pessoa sente. Não contribua para que ela sinta vergonha ou se sinta ainda pior. Jamais compare ou exemplifique as histórias de superação que você conhece porque isso desperta ainda mais a sensação de incapacidade. Se puder, acolha.
Fica a mensagem que eu gostaria de ter encontrado lá atrás e que hoje me sinto confortável para abordar publicamente.
Quem sabe é a mensagem que você está precisando hoje. É a mensagem que eu escrevi para mim e que preciso constantemente reler. A hipersensibilidade faz parte de mim, eu não escolhi ser assim, não é legal sentir de forma intensa, descontrolada e extrema, e ainda ser taxada de dramática. Todo ser humano precisa/merece que suas emoções, pensamentos ou sentimentos sejam validados, principalmente os seres humanos em desenvolvimento, as crianças.
Sou o tipo de pessoa que adora pesquisar sobre lugares para comer. Quando viajo, é uma das coisas que faço antes mesmo de chegar no destino, planejo as possibilidades com meu marido e agendamos/reservamos quando necessário, afinal, comer é uma das coisas que gostamos de fazer em viagens.
Onde moro não é diferente.
Em Brugge (em português: Bruges) estão instalados restaurantes, cafés e pubs que podem agradar diferentes perfis e proporcionar diferentes experiências para quem visita a cidade, porém, por ser extremamente-excessivamente turística, alguns restaurantes, seja o alimento, seja o atendimento, ou qualquer outra coisa, podem deixar a desejar. Então, recomendarei alguns dos restaurantes que me agradam na cidade mais visitada da Bélgica.
Dica nº1: Evite os restaurantes que ficam na Grote Markt porque são quase que exclusivamente turísticos. No geral, não se preocupam com a qualidade do que é oferecido, afinal, o cliente frequentará uma vez e dificilmente voltará porque está na cidade justamente à turismo. Eu não estou querendo dizer que todos os restaurantes dali são ruins (até porque eu só fui em 1 ou 2 deles), porém, eu não recomendo.
That’s Toast
É um restaurante que oferece opções que são tradicionais para o café da manhã / brunch durante o dia inteiro. A refeição vale a pena em qualquer horário do dia.
Costuma ser bem cheio, mas o tempo de espera na fila é recompensado.
Um dos restaurantes mais aconchegantes que já estive na cidade. Vários drinks, opções para café da manhã, petiscos, sanduíches, pratos para almoço e sobremesas. Importante se atentar para o que é oferecido no horário que pretende ir ao restaurante. O cardápio do almoço é alterado com frequência.
Terraço agradável para os dias de verão e para beber.
O melhor restaurante de comida tailandesa de Brugge fica relativamente perto do centro da cidade, mas escondido. É necessário fazer reserva para experimentar a comida super saborosa do local.
Pizzas saborosas, a massa perfeita – fina e crocante – contribui por torná-las mais agradáveis de comer. Preço justo. Ambiente agradável. Opções veganas. O restaurante oferece ótimas cervejas belgas e indica qual harmoniza melhor com a pizza da sua escolha.
Um estabelecimento que oferece chocolate em barras, pralines, trufas, gotas de chocolate, entre outros tipos de produtos feitos artesanalmente com chocolate.
Assim como a maioria das lojas de chocolates de Bruges, The Old Chocolate House é de produtores locais.
Dentro do estabelecimento existe uma área (tearoom) onde é possível desfrutar de doces como waffle, bolos, cheesecake, brownie, sorvete, marshmallows, bolinho de chuva e bebidas quentes. Ótima opção para o café da tarde ou depois do almoço para desfrutar uma sobremesa, e melhor ainda se o dia estiver frio.
Annecy tem charme, lago, montanha, castelo, flores enfeitando as pontes do centro, onde estão as ruelas bem pequenininhas com restaurantes que organizam mesas e cadeiras do lado de fora, é tudo tão encantador. A arquitetura e os canais que também contribuem para o cenário… Que lugar! Eu realmente me apaixonei por Annecy. Com certeza está entre os lugares que mais gostei de visitar na França (junto com os vilarejos da Alsácia e Èze).
Viajamos no período em que a situação da pandemia estava significativamente controlada na Europa. Como sempre, viajamos de carro por causa da nossa cachorrinha, totalizando cerca de nove horas na estrada (840 km).
A cidade está localizada perto de Chamonix, onde estivemos no inverno de 2019.
Annecy oferece diversos tipos de atividades para diversos tipos de perfis no que se refere à recreação, e existem possibilidades para aproveitar a região em todas as estações do ano. Nós fomos no mês de julho e aqui compartilharei um pouco da nossa visita à capital do departamento de Haute-Savoie durante o verão.
palais de l’île
Acordar bem cedo e pegar as ruas ainda vazias é algo que eu aprecio muito (em todas as viagens que faço). Período do dia em que é mais fácil observar os detalhes porque tudo ainda permanece tranquilo, sentir a calmaria da manhã, admirar a beleza do lugar, ouvir o som dos animais, enfim, aproveitar sem tantos estímulos/distrações.
O Palais de l’Île fica no centro histórico e é um dos principais cartões portais de Annecy, sendo considerado o local mais visitado da cidade e um dos prédios mais fotografados da França. O edifício foi construído a partir do XII acima de uma ilhota natural que fica no meio do canal. Inicialmente, e nos séculos a seguir, foi utilizado como como uma prisão, mas também já abrigou um tribunal para o palácio da justiça, já foi lar de idosos, quartel, armazém, sala de ginástica, escola de desenho para operários da construção, e desde o século XVIII, a tarefa de exercer funções administrativas foi atribuída ao edifício. Foi alterado no decorrer dos séculos, restaurado e reparado. Atualmente, o edifício abriga um museu com exposições temporárias e conta sobre a história da cidade, e ainda é possível visitar os ambientes que eram utilizados como celas.
O canal que atravessa o centro histórico da cidade, com, aproximadamente, 3,5 km de extensão, é chamado de Le Thiou.
Uma delícia se perder pelo centro histórico da cidade e identificar a atmosfera. Muitos restaurantes, cafés e sorveterias estão espalhados por ali. Passear entre as ruelas de Annecy é uma experiência que vale a pena ser vivida.
Musée-Château d’Annecy
Atualmente, o castelo de Annecy abriga um museu com exposições que resumem a história da cidade, mas também exibe temas como história natural, arte contemporânea, arqueologia, etnologia, artes plásticas e filmes de animação, além de abrigar o Observatoire Régional des Lacs Alpins, (em português, Observatório Regional dos Lagos Alpinos).
Está localizado no alto de uma colina que fica no centro histórico de Annecy.
Desde o século XIII, já foi habitado por condes e duques de Genebra, foi um quartel durante a ocupação espanhola no final do século XVII, abrigou os exércitos republicanos e os exércitos imperiais até a Segunda Guerra Mundial e ainda foi invadido por pessoas sem lar, até que, em 1953, a administração de Annecy comprou o prédio para fazer as restaurações e as reparações que eram necessárias para que o prédio fosse transformado em museu.
Nós não visitamos o museu, nos contentamos apenas com o pátio do castelo, de onde é possível observar a vista panorâmica da cidade e do lago.
Para mais informações sobre o Musée-Château d’Annecy, clique aqui.
Outros castelos na região: Château de Menthon-Saint-Bernard, Château de Duingt, Château de Thorens e Château de Montrottier.
Ainda no que se refere à história, vale mencionar as cinco torres sineiras de Annecy como atrações (religiosas): Basilique de l’Ordre de la Visitation, l’Église Notre-Dame-de-Liesse, l’Église Saint-Maurice, l’Église Saint-François de Sales e Cathédrale Saint-Pierre.
Várias atrações que a cidade oferece estão ao redor do lago, então vou compartilhar o que nós fizemos por ali.
O lago de Annecy é considerado o lago mais puro da Europa. Água cristalina em tons de verde e azul que variam dependendo da região, mais as montanhas que o cercam, fazem dele um cenário onde a tranquilidade reina. Foi originado após o degelo dos glaciares alpinos há cerca de 18.000 anos. Eu me apaixonei por Annecy especialmente pela beleza natural que compõe a cidade.
Construída em 1907, a Pont des Amours fica entre Le Pâquier e Les Jardins de l’Europe. Vale a pena parar, observar e fotografar ambos os lados da ponte, afinal, de um lado está o lago com as montanhas, do outro, o Canal du Vassé com água cristalina, cisnes, árvores, barcos e bancos para relaxar.
canal du vassé
É considerável planejar um piquenique nas redondezas no fim do dia durante o verão, ou apenas sentar e apreciar a paisagem.
Passeio de barco
Alugamos um barco para passear no lago de Annecy e levamos a Mel conosco. Foi uma delícia! A Mel aproveitou como nunca o vento no rosto, e nós também curtimos!
O tipo de embarcação que nós alugamos não exige habilitação.
Além de nadar nos locais que são permitidos (praias), também é possível passear no lago de kayak, stand up paddle, catamarã, bote, canoa, windsurf e pedalinho, além de mergulho. Ainda existe a possibilidade de prática de esqui aquático, wakeboard ou wakesurf.
De bicicleta, percorremos parte da ciclovia que acompanha a margem do lago de Annecy sem destino, apenas apreciando a beleza do lugar.
Paramos na praia de Saint-Jorioz e permanecemos ali por algum tempo, já que encontramos a sombra de uma árvore. É um dos locais onde é permitido nadar, então tinha bastante gente carregando um monte de coisa para passar o dia ali. Voltamos pelo mesmo caminho. Aproximadamente, 10 km para ir e 10 km para voltar, com cerca de trinta minutos para cada trajeto.
Para dar a volta no lago de bicicleta são 40 km.
Existem outros circuitos, menores ou maiores, para andar de bicicleta.
Caminhada nas montanhas também é um passeio bastante comum e possibilita vistas panorâmicas incríveis.
Nós não fizemos caminhadas, mas fomos até uma das montanhas ao redor de Annecy para contemplar um pôr do sol espetacular com a vista panorâmica do lago de Annecy.
Col de la Forclaz
Para chegar até lá: 74210 Montmin. Utilizamos o gps para chegar até o escritório de informações do local, e então estacionamos ali. A partir daí é subir as ladeiras caminhando (pela rua Chemin Rural dit de la Forclaz) ou se direcionar até a concentração de parapente (paragliding), pois a prática do esporte é bastante procurada na região e ali é um dos pontos que os profissionais decolam (por lazer ou trabalhando).
Se você estiver planejando visitar Annecy, recomendo imensamente que você considere uma visita à Col de la Forclaz durante o pôr do sol porque é simplesmente incrível (se for o tipo de passeio que te interessa).
Além de Annecy, visitamos o parque Les Gorges du Fier (aproximadamente, 15 km de distância).
O local é bem bonito, mas foi diferente do que eu esperava porque o nível da água estava baixo, porém, super válido. As estruturas para caminhar entre as montanhas é incrível. Tem estacionamento, lanchonete e banheiro na entrada do acesso ao parque.
Também tem um castelo, mas optamos por não ir até lá por causa do calor, já que o acesso era através de escada.
Indo para Les Gorges du Fier ainda encontramos um campo de girassóis.
Annecy me encantou, inicialmente, através das fotos que vi no Instagram, e me conquistou completamente com seu pitoresco centro histórico e a maravilhosa beleza natural que tanto contribui para que seja tão cênica, e não posso deixar de mencionar a comida que também me agradou.
Não foi uma viagem planejada, não teve pesquisa, não teve roteiro, teve apenas a vontade de aproveitar, foi decidida de última hora e foi surpreendente.
Existem algumas atrações turísticas interessantes, mas só de caminhar entre as ruas do centro histórico e apreciar sua beleza natural já faz a visita valer a pena.
Vontade de voltar em todas as estações e aproveitar cada uma, porém, confesso que acredito que o verão deve ser a melhor época.
Hospedagem
Optamos pelo Mercure Annecy Centre Hotel por ser pet friendly e atender o que buscávamos. A localização do hotel é ótima, fica perto do centro e permitiu que fizéssemos tudo a pé em Annecy.
Alimentação
Todas as opções que mencionarei têm disponibilidade de mesas e cadeiras do lado de fora, ao ar livre na calçada.
Para variar, não fotografei! Mas posso garantir que vale a pena visitar o local para desfrutar de um dos sanduíches que são oferecidos durante café da manhã ou brunch porque a comida é ótima. Altamente recomendado!
Outra opção para café da manhã ou brunch que experimentamos e também recomendo. Pedimos uma das opções de menu; vem o que está nas fotos e serve duas pessoas perfeitamente bem, mas não lembro se as bebidas estavam inclusas. Reservar antecipadamente.
A massa é deliciosa e os ingredientes contribuem para que o conjunto seja fácil de saborear. Sem dúvidas, uma das pizzas mais gostosas que já tive o prazer de comer. Preço justo. Ambiente agradável. Super recomendo!
Nada excepcional, mas a comida com foco em culinária italiana é boa. Em frente ao restaurante fica a lousa com recomendações dos pratos que são oferecidos no dia para complementar o cardápio com poucas opções. Boa surpresa!
Nas fotos, filé de robalo com molho de vinagrete (tomate, cebola, azeitona e ervas) e purê de batatas por baixo, e moelleux au chocolate de sobremesa. Ambos deliciosos!
Para conhecer o centro de Annecy, fizemos tudo a pé.
No dia que fomos até Les Gorges du Fier e Col de la Forclaz para ver o lago de cima e o pôr do sol da montanha, fomos de carro. Como citado anteriormente, também utilizamos barco e bicicleta para explorar a região.
Informações úteis:
Clima: durante os dias que estivemos na região (17.07.2020 a 20.07.2020), as temperaturas permaneceram entre 15°C a 30°C. Dias ensolarados, e o pôr do sol acontecia por volta das 21:10.
Moeda: euro.
Idioma: francês.
Tomada:
Para acessar o site oficial do escritório de turismo de Annecy, clique aqui.
Toda vez que o tema é sobre as estações do ano aqui na Bélgica, gosto de comentar que o fato de elas serem bem definidas é uma das razões que eu mais gosto daqui. Entre abril e maio as árvores voltam a florir e permanecem assim por pouco tempo, e depois as folhagens permanecem até o outono.
Outros artigos sobre a primavera estão disponíveis aqui no blog e disponibilizarei os links no final desta publicação.
O tema de hoje é justamente o que o título já descreve, então vamos lá!
Vários produtores dos Países Baixos alugam os campos de propriedade particular de agricultores para a plantação de tulipas. O lugar é ideal por causa da proximidade com o pólder de Kieldrecht. O local onde as tulipas são plantadas muda de tempos em tempos e a cada ano, mas a maioria dos campos fica em Rode Moerpolder e Koningskieldrechtpolder.
Ano complicado. Tão difícil como 2019 (que na época eu imaginava que era um dos anos mais difíceis da minha vida) e 2020, porém, por razões diferentes.
Entre setembro e outubro de 2020, me deparei com situações que sabia que precisava enfrentar. Experiências do passado voltaram a me assombrar e precisei encará-las, então, voltei para a psicoterapia. Mesmo período em que a minha cachorrinha foi diagnosticada com câncer, e os tumores já estavam espalhados pelo corpo dela. Onde não podíamos sentir. Onde não podíamos ver. E não podíamos fazer nada além de aceitar os cuidados paliativos recomendados, pois aos dezoito anos de idade qualquer outra intervenção médica seria mais desconfortável para ela. Oferecemos tudo o que foi possível para que ela vivesse bem até sua partida, em 23.01.2021.
Continuo em psicoterapia e não tenho a intenção de interromper. Eu preciso me curar para seguir com os meu sonhos e realizar tudo o que eu mais desejo.
Para minha distração, tenho escutado podcasts, lendo livros e assistindo séries. E refletido muito. Agora temos uma bicicleta ergométrica em casa que também tem contribuído positivamente para a minha rotina, afinal, eu tinha desistido de praticar exercícios físicos por razões de indisposição para fazer qualquer coisa. Às vezes, me animo e escrevo para mim… Meus textos falam muito sobre mim, sobre as emoções que preciso compreender. Minhas inseguranças, vulnerabilidades, angústias, limitações, medos, emoções que me paralisam. Retornando ao passado para fazer as pazes com o agora. E assim, também praticando a autocompaixão.
Através dos podcasts, passei a escutar temas que me interessam, como o que envolve saúde mental ou diversidades da atualidade para distrair e dar um pouco de risada.
No começo do ano, comprei um Kindle, que é o leitor de e-books da Amazon, e super me adaptei. Nunca li tanto na vida por vontade própria. Talvez a praticidade seja determinante para isso. Estou quase encerrando a leitura de um dos livros que há tempos queria ler: A bailarina de Auschwitz, de Edith Eva Eger. Quando vi os exemplares empilhados em uma das bancadas de uma livraria do Brasil, o título chamou minha atenção e o prefácio despertou minha curiosidade, porém, não comprei porque seria algo a mais para eu carregar na viagem de volta para a Bélgica, então adicionei na minha lista de livros para ler, e agora, finalmente, estou quase no fim. Li o livro sentindo intensamente tudo o que é descrito junto com a autora. Fascinante. Um convite à reflexão.
No momento, a série que tem me distraído todas as noites é This is us, disponível na Amazon Prime Video até a terceira temporada aqui na Bélgica. A série é emocionante e quase todos os episódios me fazem chorar. É linda e me faz refletir sobre as histórias de cada personagem.
O distanciamento das redes sociais também tem contribuído positivamente. Cansei. Cansei de ver notícias estampando a realidade e um monte de gente fazendo de conta que está tudo maravilhosamente bem, compartilhando coisas completamente desconexas com a realidade que vivemos. Como mencionei lá em cima sobre os podcasts, achei que o Clubhouse seria uma rede social que eu fosse gostar por causa de ser algo focado na fala/audição, mas a maioria das salas de bate-papo traz pessoas com discurso de coach. Um porre! Mais um desserviço para a saúde mental das pessoas que são leigas e caem nessa. Ou seja, cansada, exausta e esgotada das pessoas virtualmente. Não aguento mais o fenômeno da positividade tóxica se espalhando normalmente por aí. Mindset. Esqueça o que não te faz bem. Gratiluz.Não aguento mais, apenas. É, acho que não me encaixo mais no mundo nas redes sociais pelo menos por enquanto. Talvez seja a idade…
Cliquei em follow e em unfollow para muita gente. Eu me decepcionei com pessoas que agiram de formas que vão muito contra o que eu acredito, moralmente e eticamente, refleti sobre muita coisa. Não acessar por tempo indeterminado minhas redes sociais é algo que só tem contribuído positivamente. Sempre senti amor e ódio por elas. Agora, silenciei.
Em novembro de 2020 foi decretado lockdown pela segunda vez aqui na Bélgica. No começo de março a situação começou a voltar ao normal, ainda muito distante de ser “normal”, ainda com regras, ainda com restrições, ainda com a obrigação do uso de máscaras e distanciamento, praticando a paciência, aguardando a vez de tomar vacina. Há mais de um ano tivemos nossas vidas reviradas, desorganizadas e desestabilizadas. Quantas mudanças… Sobrevivendo, dia após dia. Eu não teria razões para lamentar se não fossem as perturbações do passado voltando a se manifestar.
Tudo o que foi cancelado em 2020 por causa da pandemia, novamente foi cancelado em 2021 aqui na Bélgica.
Não sei qual será o futuro do blog. Tenho pensado sobre isso… não vou abandonar, mas talvez eu escreva um pouco sobre mim, acredito que os temas serão mais diversos. Meus pensamentos, talvez eu me apresente mais por aqui.
Hoje está nevando na Bélgica, ou pelo menos onde eu moro. Então, me senti inspirada a escrever sobre o passeio que fizemos em um fim de semana na região de Ardenne, na Bélgica.
Ardenne (ou Ardenas, em português) é uma região da Bélgica com florestas, cumes e montanhas, localizada no sudeste da Valônia e se estendendo até Luxemburgo, França e Alemanha. Com aproximadamente 690 metros de altura em Botrange – Hautes Fagnes – na província de Liège, é a região mais alta da Bélgica. Por isso, é onde mais existe a possibilidade de nevar na Bélgica durante o inverno.
Decidimos nos hospedar em Malmedy para visitar a região que até então nunca tínhamos visitado. Não fomos até Hautes Fagnes por causa das medidas que foram tomadas em razão da pandemia.
Caminhamos pela trilha do calvário partindo do centro de Malmedy. Ao chegar até o topo, caminhamos por ali e vimos que existem opções de trilhas para quem quiser percorrer pelo meio da floresta. Para mais informações, clique aqui.
A cidade é perfeita para quem deseja estar em contato com a natureza e ver uma das regiões mais providas de belezas naturais da Bélgica.
Eu adorei visitar a região e confesso que fui positivamente surpreendida, apesar de antes já ter visto fotos na internet e até mesmo ter ouvido depoimentos de quem já esteve por lá. Em janeiro/2021, no segundo fim de semana do mês, tivemos a oportunidade de ver neve por lá, e acredito que no verão também é incrível, até para aproveitar as trilhas da região e parques.
Ao final, deixarei o vídeo que fiz de alguns dos lugares por onde passamos.
Recomendação de acomodação: Les Terrasses de Malmedy. A maioria dos imóveis do condomínio tem disponibilidade para locação no Booking. Nós optamos pelo Studio 341.
Para acessar o site oficial de Malmedy e verificar o que fazer na região, clique aqui.
Quando planejei a série BLOGMAS, não imaginava que fosse possível a situação da pandemia sair tão do controle, como aconteceu. Era previsível que os números aumentassem com a volta das aulas presenciais em setembro, mas não imaginava que novamente estraríamos em isolamento e que as coisas caminhassem para como estão.
Meus planos eram diferentes… mas ainda assim consegui concretizar a ideia de publicar algo diariamente. Reconheço que ficou um pouco repetitivo, mas tive que dividir os textos para que isso fosse possível. Sigo com os tantos outros planos que tinha, com a esperança de que eu consiga realizar em 2021.
Feliz Natal!
Ou…
As formas mais comuns que as pessoas desejam Feliz Natal por aqui são: Vrolijk Kerstfeest; Prettig Kerstdagen ou Fijne Kerstdagen.
Quero compartilhar quais são os costumes de Natal entre os belgas que eu mais gosto. E algumas curiosidades…
As regiões de Flandres e Valônia são divididas não apenas pelo idioma, politicamente ou financeiramente. Os costumes também são bem regionais.
Assim como o dia de Sinterklaas (clique aqui para acessar o artigo onde eu explico melhor), o Natal também é bastante celebrado, afinal, habitantes do país ainda são predominantemente cristãos.
É cada vez mais comum a mudança acerca dos costumes de Natal por causa do multiculturalismo. Uma mistura de costumes que vem um pouco de cada cultura. Para alguns, é uma celebração estritamente religiosa. Para outros, é motivo para se reunir com quem gosta, trocar presentes (simples), comer, beber, se divertir.
Semelhante com o que popularmente acontece no Brasil, famílias se reúnem para celebrar a véspera de Natal (Kerstavond), majoritariamente, mais intimista – com os familiares mais próximos – e, se possível, perto da lareira para tornar o clima mais aconchegante. Comumente, as crianças são presenteadas e acontece a troca de presentes também acontece entre adultos. No dia 25 as reuniões também acontecem.
À mesa, é esperado peixes, ostras, mariscos, frutos do mar em geral. Tem quem opta por faisão ou peru como prato principal acompanhados por vegetais, molhos ou saladas. Tem quem prefere o conceito de comida para compartilhar, já que a variedade é maior. Também é comum fondue ou gourmet acompanhados por vinho, já que os dois são práticos. O fondue é geralmente de queijo, e os acompanhamentos variam de acordo com o gosto de cada um. O gourmet é um grill usado para as pessoas compartilharem os produtos à mesa, e é um pouco mais amplo, pois as possibilidades são diversas, já que você pode grelhar o que quiser acima da chapa, enquanto abaixo é mais utilizado com a função de derreter queijos. Vou adicionar fotos para exemplificar, mas nós nunca fizemos ambos para o Natal. Croquetes de batata estão na maioria das mesas de Natal dos belgas. Em casos de reuniões, é cada vez mais comum a distribuição de responsabilidades para o preparo dos pratos para que ninguém fique sobrecarregado. Como pode ser notado, não há unanimidade. Para sobremesa, Kerststronk (uma espécie de bolo de rocambole que atualmente possui algumas variações). Uma alternativa é a variante em forma de sorvete que pode ser facilmente comprada em mercados, mas também é possível encontrar Kerststronk nos mercados de Natal da Bélgica.
Reprodução: https://njam.tv/ – uma das variações de Kerststronk.
Bebidas mais consumidas no Natal: vinho, espumante ou gin.
É comum que as pessoas se divirtam com jogos no dia da véspera.
Na televisão, filmes com a temática são exibidos.
Os cristãos praticantes costumam ir à missa da meia-noite na véspera e/ou à missa da manhã do dia 25.
Aqui as pessoas costumam enviar cartões de Natal. Já recebi dos colegas de classe e dos vizinhos do prédio onde eu morei desde que cheguei até o começo de 2020. Entre tudo o que citei, é o costume que eu mais gosto! Aquece a alma…
E a diversidade em relação à comida também é algo que eu gosto, apesar de eu não comer a maioria das carnes, gosto da ideia de que o menu seja flexível.
Não posso deixar de mencionar os mercados de Natal (ou mercados de inverno por causa da diversidade cultural que é encontrada na Bélgica). Independente da nomeação, eles trazem mais alegria para o período em que os dias permanecem mais escuros, é onde o brilho das luzes e a charmosa decoração, comida, bebida, encontros e diversão aquecem meu coração.
E sempre tem a esperança pelo Natal com neve, que há dez anos não acontece.
Obrigada pela companhia…
Que a ternura e os sentimentos mais gentis consigo e com o outro te acompanhem nesse 24.12 tão atípico.
Em 2020 fizemos algo que até então nunca tínhamos feito desde que chegamos aqui na Bélgica: visitamos algumas das cidades que ficam na costa do país em pleno dezembro. E eu gostei! Vou compartilhar um pouco do que fotografei por lá.
Knokke-Heist
Uma das cidades que mais estava com as ruas decoradas em 2020. Arrisco dizer que é a cidade que mais estava decorada… os canteiros das ruas com pinheiros e bastante pisca-pisca em volta. Até mesmo casas e apartamentos nas áreas mais residenciais estavam bem no clima.
Exibições de arte através de luzes estavam espalhadas nas ruas do centro por causa do Light Art Festival de Knokke-Heist, tornando o ambiente ainda mais apreciável. Para mais informações, clique aqui.
Os restaurantes não estavam abertos por causa de restrições, mas estavam oferecendo bebidas como glühwein e chocolate quente que tanto são tradicionais nos mercados de Natal, e waffle. Achei que trouxe um pouco mais do clima para a cidade. Os cheiros… ah, amo!
Blankenberge
Cidade vazia, mas também decorada…
Praticamente tudo fechado, e pouquíssimas pessoas nas ruas por onde passamos. Até estranho.
Oostende
Também estava vazia no dia que visitamos, mas a decoração das ruas estava bem atrativa.
Diferencial para o barco que foi decorado, e no centro também tinha decoração.
Como comentei ontem, moro em Aalter. O acesso para as praias é bem fácil e não é demorado chegar até lá… gostei principalmente porque as cidades estavam tranquilas (menos Knokke-Heist que está atraindo mais pessoas por causa do festival).