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Trincheiras da Primeira Guerra Mundial na Bélgica

Dia 11 de novembro é dia do Armistício, feriado na Bélgica. A data – 11.11.1918 – simboliza o fim da Primeira Guerra Mundial e é celebrada anualmente.

A Bélgica foi bastante afetada durante o período. Se você tem interesse pelo tema, sugiro que também leia os artigos onde comento sobre os acontecimentos na região de Ieper.

Hoje, comentarei as trincheiras da Primeira Guerra Mundial que podem ser visitadas aqui na Bélgica – Flanders Fields. Algumas delas são originais. Outras foram restauradas ou reconstruídas exatamente como eram na época.

Trincheiras eram valas, durante a Primeira Guerra Mundial, longas e profundas, projetadas com o objetivo de proteger as tropas que estavam em combate. Com o passar do tempo, experiências, e de acordo com as necessidades que eram observadas, a estratégia foi se desenvolvendo.

Front Line ‘t Hooghe, em Ieper.

Na área do Kasteelhoof ‘t Hooghe aconteceram algumas das batalhas mais violentas. Foi aqui que soldados de ambos os lados enfrentaram os impactos das minas pela primeira vez.

Quando o proprietário do terreno retornou ao local após a guerra e percebeu o que tinha acontecido ali, decidiu manter as trincheiras como uma forma de preservar a memória da Primeira Guerra Mundial e daqueles que perderam suas vidas nas batalhas.

Além das trincheiras em ziguezague, é possível ver bunkers e o que foi descoberto abaixo do solo após uma limpeza do terreno em 1995.

Endereço: Meenseweg 481, 8902 Zillebeke – Ieper

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Yorkshire Trench and dug-out, em Ieper.

Recriada pelo In Flanders Fields Museum, a trincheira foi restaurada com o apoio de arqueólogos.

É pequena, mas com informações sobre o que pode ser observado ali.

Durante a escavação para a nova zona industrial na década de 1990, região onde está a Yorkshire Trench and dug-out, foram encontrados restos humanos de 205 soldados.

Endereço: Bargiestraat (sem número), 8904 Boezinge – Ieper

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Memorial Museum Passchendaele 1917, em Zonnebeke.

O Memorial Museum Passchendaele 1917 foca principalmente nos acontecimentos de 1917 durante a terceira batalha de Ieper. É um museu bastante interessante, pois, além das exposições que informam o que aconteceu na época (além de 1917), artefatos, uniformes, objetos pessoais dos soldados, etc., existe uma réplica dos abrigos no subsolo que ilustra como era a vida nos campos de batalha.

Você pode ver trincheiras e abrigos do exército alemão e do exército britânico reconstruídos exatamente como eram.

Na área, também está o Passchendaele Memorial Park, onde jardins homenageiam todas as nações que lutaram durante o período. É aberto ao público (gratuito), e o espaço é bem agradável.

Endereço: Berten Pilstraat 5A, 8980 Zonnebeke

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– O local que foi dominado e renomeado pelos alemães: Bayernwald, em Heuvelland.

O local foi reconstruído, e 10% de tudo o que pode ser visto ali é original da época.

Um poço foi acidentalmente descoberto no terreno em 1971. Devido à curiosidade, escavações descobriram bunkers, enquanto as trincheiras foram reconstruídas.

Endereço: Voormezelestraat 2, 8953 Wijtschate

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The trench of Death, em Diksmuide.

Em português: A Trincheira da Morte. Como o nome já sugere, era o inferno dos soldados durante a guerra, e isso pode ser notado através das exposições do museu: telas interativas, fotos, filmagens, objetos, e as trincheiras.

A trincheira fica ao longo Rio Ijzer em Diksmuide, onde o exército belga lutou bravamente por quatro anos em condições extremamente difíceis para impedir o avanço do exército alemão em direção à França. Ali, os inimigos permaneciam a uma distância bem próxima.

Endereço: IJzerdijk 65, 8600 Diksmuide

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A vida nas trincheiras era perturbadora.

Viver e conviver com medo constante, mortes, infecções, pragas, umidade, bombardeios, condições precárias de higiene e saúde, doenças… era horrível! Ter conhecimento de tudo o que se passava nas trincheiras é de revirar o estômago. Estar nas trincheiras e imaginar o que aconteceu ali é devastador.

Se você se interessa pela história da Primeira Guerra Mundial e tiver oportunidade de visitar a Bélgica, recomendo demais que você inclua a região de Flanders Fields no seu roteiro, pois, além das trincheiras, você também pode visitar museus, memoriais e cemitérios. E, dependendo da época do ano, participar de eventos. Uma homenagem acontece todos os dias na cidade de Ieper (The Last Post).

Clique aqui para encontrar mais dos pontos de interesse relacionados à Primeira Guerra Mundial em Flanders Fields.

Sites com mais informações:

https://www.flandersfields.be/en

https://www.visitflanders.com/en/themes/flanders_fields/

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100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial – parte 2

Esta publicação é continuidade de “100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial – parte 1”.

No último 11 de novembro (dia do Armistício) a Bélgica foi um dos países que relembrou sobre o fim da Primeira Guerra Mundial, então elaborei textos que retratam um pouco dos acontecimentos que envolveram o país.

Sobre a papoula: é vista em todos os cantos da cidade de Ieper e simboliza solidariedade e respeito aos falecidos durante a Primeira Guerra Mundial. Em eventos dos países que homenageiam os soldados que participaram das guerras também é simbolizada.

Enquanto exercia sua função prestando os primeiros socorros em Essex Farm durante a segunda batalha de Ieper, o canadense, médico e poeta, John McCrae escreveu:

In Flanders fields
In Flanders fields the poppies blow
Between the crosses, row on row,
That mark our place; and in the sky
The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.
We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
Loved, and were loved, and now we lie
In Flanders fields.
Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
The torch; be yours to hold it high.
If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
In Flanders fields.

As papoulas prosperaram em locais onde o solo era irregular. Acredita-se que ventos levaram as sementes até os campos e lá elas germinaram, sendo o que coloria em meio às ruínas.

Monumentos em homenagem aos soldados foram construídos na região de Ieper – Flanders Fields – durante a década de 1920 (uma das regiões mais devastadas com a invasão dos alemães na Bélgica). Menenpoort é um dos memoriais CWGC (Commonwealth War Graves Commission) da Bélgica.

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100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial – parte 1

Na Bélgica, 11 de novembro – dia do Armistício – é feriado e dia de relembrar o fim da Primeira Guerra Mundial e honrar os soldados que lutaram durante o período. Eventos acontecem nas cidades do país.

A Bélgica e a Primeira Guerra Mundial (resumidamente)

Entre os anos de 1914 e 1918, a Bélgica foi cenário para alguns dos confrontos da Primeira Guerra Mundial.

Antes de 1914 já existiam conflitos entre os países da Europa.

O estopim que desencadeou a Primeira Guerra Mundial foi o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand Karl Ludwig Joseph Maria, sucessor do trono do Império Austro-Húngaro.

Em 28 de junho de 1914, o sérvio Gavrilo Princip disparou o tiro que causou a morte do arquiduque na capital da Bósnia. Após, o Império Austro-Húngaro autorizou ataques contra os sérvios, além de extradição e de perseguição que acabaram resultando em um ultimato do Império Austro-Húngaro com condições e exigências à Sérvia, que não concordou com um dos requisitos do documento.

Em 28 de julho de 1914 o Império Austro-Húngaro declarou guerra à Sérvia.

A Alemanha fazia parte da Tríplice Aliança com o Império Austro-Húngaro e Itália (Impérios Centrais).

A Sérvia tinha o apoio da Rússia, que rapidamente planejou e organizou as ações de defesa. França e o Reino Unido faziam parte da Tríplice Entente juntamente com a Rússia (Os Aliados), um acordo criado para equilibrar as forças com a primeira.

A Alemanha declarou guerra à Rússia e posteriormente também declarou guerra à França. Os alemães queriam chegar até a França, porém, existiam barreiras que os impediam.

Foi aí que as tropas alemãs invadiram a Bélgica através de Liège em 04 de agosto de 1914, ignorando a neutralidade do país e exigindo que o rei Albert I liberasse a passagem para que os soldados atravessassem o país e pudessem atacar a França, o que foi recusado, então as tropas alemãs avançaram, declarando guerra e destruindo o que atrapalhasse seu avanço.

O Reino Unido exigiu que os alemães recuassem em respeito à Convenção de 1839, que garantia a neutralidade da Bélgica, o que não aconteceu, então os britânicos e consequentemente as colônias que eram administradas por eles ingressaram na guerra para defender o país, pois era o que as nações que assinaram o tratado deveriam fazer em caso de invasão.

A primeira batalha em Ieper começou em 19 de outubro de 1914 e terminou em 22 de novembro de 1914. Após, sob o comando do rei Albert I, o exército belga ordenou a inundação da planície do Rio Ijzer através da abertura deliberada das comportas de Veurne-Ambacht, estratégia que impediu que as tropas alemãs avançassem por um período.

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