desabafo, reflexão, uma dose de mim

No divã: sobre a validação das emoções

O tema de hoje será um pouco diferente do que geralmente costumo abordar aqui. Vou abrir meu coração e comentar um pouco sobre mim, e talvez, sobre você. 

Por muito tempo eu tive vergonha das minhas dores. Assim aconteceu porque me fizeram acreditar nisso. Era desnecessário. Era vitimismo. Era ingratidão. Era mimimi. Era coisa de momento que com o tempo passaria. Por longos anos. Hoje eu acredito que o interesse em cursar Psicologia veio daí. Eu queria ajudar o outro a se compreender, porém, era exatamente a necessidade que eu tinha. Fiz terapia com abordagem psicanalítica e isso me ajudou em todos os aspectos que você pode imaginar, especialmente, ajudou com que eu encontrasse o caminho para identificar quem eu realmente era, pois por anos eu me submeti em ser quem as pessoas gostariam que eu fosse, fazia esforços para agradar, para me sentir pertencente, para me sentir amada, para ser aceita, e nunca conquistei nada do que desejava. Depois de me encontrar, continuei vivendo da forma que era melhor para mim. Anos passaram. Mudei de país e desde então não trabalhei mais na área em que sou formada. 2020 chegou e com ele os monstros voltaram a me assombrar mais intensamente (afinal, eles nunca deixaram de me acompanhar e de tempos em tempos voltam mais cruéis comigo). Voltei para terapia e tudo ficou muito evidente, precisaria voltar a encarar o que tanto me assombra. Estou novamente vivendo, entendendo e enfrentando a minha realidade.  

Até hoje, muita gente ainda não compreende, mesmo com o tema sendo mais discutido por aí.  

Foi cursando Psicologia que eu entendi que eu precisava me respeitar. Foi quando eu desenvolvi ainda mais a empatia que sempre habitou em mim. Que NUNCA devemos diminuir a dor do outro por mais incompreensível que pareça ser, que não sabemos a dor que o outro sente, mas que com um pouco de sensibilidade podemos sentir com o outro.  

A minha dor importa. A sua dor importa.  

Não permita que diminuam a sua dor. Sinta. Expresse. Busque por psicoterapia. Não acredite quando alguém disser que sua dor é mimimi e que você não tem razões para senti-las. Não aceite que alguém fale que sua dor é falta de ter o que fazer. Não dê voz a quem não respeita o que você sente. Tenha cautela, pois nem todos estão dispostos a ouvir, acolher ou tentar compreender o que você sente. Existem pessoas que simplesmente não sabem o que fazer. Acredite em você, sinta, acredite no que o seu coração diz. Não se culpe ou exija o que está além do seu poder. Tenha autocompaixão. 

A sua dor não é comparável com a dor do outro, é sua.  

Não é desnecessária.  

Não é vitimismo.  

Não é ingratidão.  

Não é mimimi.  

Não aceite que alguém invalide suas emoções, pensamentos ou sentimentos. O tempo não tem o poder de resolver algumas coisas. Isso é o que diz quem não tem a capacidade de se colocar no seu lugar. Cuide-se! Não hesite em buscar ajuda. 

E se você é a pessoa que está percebendo o quanto está sendo difícil para o outro, respeite (é o mínimo que você deve fazer), e não diminua o que a pessoa sente. Não contribua para que ela sinta vergonha ou se sinta ainda pior. Jamais compare ou exemplifique as histórias de superação que você conhece porque isso desperta ainda mais a sensação de incapacidade. Se puder, acolha. 

Fica a mensagem que eu gostaria de ter encontrado lá atrás e que hoje me sinto confortável para abordar publicamente. 

Quem sabe é a mensagem que você está precisando hoje. É a mensagem que eu escrevi para mim e que preciso constantemente reler. A hipersensibilidade faz parte de mim, eu não escolhi ser assim, não é legal sentir de forma intensa, descontrolada e extrema, e ainda ser taxada de dramática. Todo ser humano precisa/merece que suas emoções, pensamentos ou sentimentos sejam validados, principalmente os seres humanos em desenvolvimento, as crianças.

3 comentários em “No divã: sobre a validação das emoções”

  1. Oiii…vi que escreveu que anda lendo bastante. Gostaria de te indicar um livro maravilhoso que me ajudou em algumas questões que você mencionou nos seus textos.

    Campo de batalha da mente – Joyce Meyer

    O melhor livro que já li, libertador.

    Acredito que não foi por acaso que entrei aqui, eu tinha que te indicar este livro. São os Não caminhos que Deus usa para falar com a gente. ❤️

    Bjs saudades de vcs!

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    1. Oi Aline!
      Em breve iremos para o Brasil, acredito que teremos oportunidade de nos encontrarmos.
      Muito obrigada pela indicação, já anotei e adicionarei na minha lista.
      Beijo!

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